domingo, 20 de outubro de 2013

Hj eu lancei 2 dados no universo... Fechei as portas do orgulho e do rancor e abri a da esperança. Ok, a janela da frustração não tem cadeado, abre fácil com o vento da rejeição. Mas, se o sol entrar e iluminar, tira esse mofo de solidão. Quem sabe com o coração brilhando, faça ver os que estão na penumbra da razão?! Tenho certeza que sim, não tenho certeza se não. A casa está limpa, as teias dos velhos sentimentos se foram. Não há tempo pra perder com dissabores, é preciso do azedo pra se reconhecer o doce....

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Olhos Azuis


As horas avançavam. Suave batiam no relógio ao seu lado. Um passar de tempo tímido daquele dia de inverno. Na tela fria a janela piscava. As letras surgiam ternas, e em delicada harmonia. Oferecendo inúmeras ousadias. Cada um, ali, lado a lado, do outro lado do computador.

E na sua mente, ela se perdia, em sutil melodia. Inspirada ela ia, por entre camas e lençóis. Aos olhos azuis e a pele branca, de cabelos negros de moldura do rosto. Do rosto dele. O olhar felino, a voz contida de quem caminha entre anjos e demônios. E no silêncio de uma inegável timidez.

E no dedilhar nas notas do piano, notas de dor, escondidas na palidez do seu sorriso.
Os olhares se cruzavam, corriam e percorriam. Suas bocas, lábios e língua. Os olhos dele percorriam as sardas do corpo dela, acompanhando as curvas marcadas debaixo do vestido. O decote não era do tanto que se via; mas com um pouco atenção, e ele a tinha, se enxergava por onde sua mente se escondia. O desenho delicado dos seios sob o vestido, acompanho a respiração. O vão que os separava e descia, até onde se via seu umbigo. Poesia! Era desejo o que sentia.

E se tocavam em silencio, em olhares bem atentos. Um ballet de pele e pêlos. De corpos que se tocavam a distância, entre olhares que se despiam. E se beijavam, se sentiam, se tocavam... a música, o piano. Dois corpos nus no chão. Cheiros, gostos e beijos, mãos... que se percorriam. Se sentiam, se tocavam. Contra bocas que se chupavam e se lambiam. Se engoliam, língua e membro. No sincronismo, iam e vinham.

Olhares. Olhos azuis que teimavam olhar, seus olhos castanhos que insistiam em desviar. E era assim, só assim, que se completavam e se tinham. Era assim que se amavam. Em fantasiosa poesia.


domingo, 2 de junho de 2013

DEUS SEGUNDO SPINOZA

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.


Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.


Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.


Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?


Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.


Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?


Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.


Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.


Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.


Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?


Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.


Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.


Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.
Baruch Spinoza

domingo, 26 de maio de 2013

Rima de Rimador


Tenho uma coleguinha
que faz rima bonitinha.
Ela é coroa, mas, 
sempre paga de gatinha.

Namora um garotão,
se veste moderninha.
A barba não disfarça,
e ela tem pé-de-galinha.

No skate ou na corrida,
e na corda esticada,
o golpe é certeiro,
no tatame jiujiteiro.

Esse monte de letrinha,
numa rima truncada.
É pra dizer que ela é tanto,
que acaba não sendo nada!

terça-feira, 19 de março de 2013

Como eu sinto saudade de lá
De pode andar pelas ruas no centro do mundo
De ver gente de todo tipo
De todo lugar
De estar longe de casa
E de poder voltar...


Existem momentos que é só decepção... é com amigo, é com "amigo"... com todo tipo de amigo.

Quantas máscaras nós usamos?

segunda-feira, 18 de março de 2013

É Preciso

É preciso fazer muito mais do que gostar
É preciso fazer muito mais do que sentir
Esse gostar engana,
O seu sentir te faz mentir.

É preciso muito mais coisa do que olhares
que parecem sinceros
numa noite de estrelas
numa cachoeira deserta

É preciso fazer muito mais do que gostar
É preciso fazer muito mais do que sentir
Esse gostar engana
E o teu mentir me faz partir
Recado dado.


Na Sua Estante


Te vejo errando e isso não é pecado,

Exceto quando faz outra pessoa sangrar

Te vejo sonhando e isso dá medo


Perdido num mundo que não dá pra entrar

Você está saindo da minha vida

E parece que vai demorar


Se não souber voltar ao menos mande notícias

"Cê" acha que eu sou louca

Mas tudo vai se encaixar


Tô aproveitando cada segundo

Antes que isso aqui vire uma tragédia


E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu


E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu


Você tá sempre indo e vindo, tudo bem

Dessa vez eu já vesti minha armadura

E mesmo que nada funcione


Eu estarei de pé, de queixo erguido

Depois você me vê vermelha e acha graça

Mas eu não ficaria bem na sua estante


Tô aproveitando cada segundo

Antes que isso aqui vire uma tragédia


E não adianta nem me procurar

Em outros timbres e outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu


E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu


Só por hoje não quero mais te ver

Só por hoje não vou tomar minha dose de você

Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se

Curam (não)

E essa abstinência uma hora vai passar

sexta-feira, 15 de março de 2013

Hoje eu precisava te falar tanta coisa... que as lágrimas que me escorrem são as palavras que eu não te disse.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Deuses a Namorar

Foi de madrugada, por volta das três que, sob a chuva avistou os faróis do carro dele.
E ali, debaixo do guarda-chuva, numa quarta-feira qualquer, ele a tomou em seus braços
Ao som dos trovões da tempestade, beijou-a.

Seu corpo não escondia o desejo e a saudade, o dela tão pouco tentava.
Surpresa, realizada, intrigada e feliz, se deixava tomar com volúpia
Pelo homem que sempre quis.

Sim, ela estava apaixonada.
Sim, aquilo deles paixão.
O medo, a dúvida não cabiam neles, não.

E sob um céu particular, com estrelas brilhantes,
E a chuva insistindo lá fora,
Na cama dela, em seu altar, eles eram deuses a namorar.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Tempo Cativo

Eu preciso de um tempo... de muito tempo, pra digerir essa violência que é você na minha vida.
Essa loucura de ir e vir, de não me deixar partir.
De me arrancar sempre dos braços da certeza,
De joguinhos sem cartas na mesa.

Eu preciso de um tempo... de muito tempo, pra digerir tudo o que não foi dito.
E tudo que dizemos sem querer.
Do olhar doce no silêncio covarde
Dessa ideia que tudo se resolve mais tarde.

Eu preciso de um tempo... de muito tempo, pra organizar as minhas rimas pobres.
Pra escrever algo com sentido,
Pra me encontrar nesse teu mundo perdido.
Pra fugir do seu sorriso.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Esse ano eu começo sozinha,
Renovada e inteira
na minha própria jornada.

Me desfaço dos grilhões,
Daquelas bolas de aço,
Que drenam minha essência
Que roubam meu abraço.


domingo, 13 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A onda

Eu tenho prazeres indiscutíveis...
Subitamente sou invadida por uma sensação boa, mesmo pensando em você.
É como se por alguns segundos tudo voltasse ao que era antes, e nunca foi.
E naquelas poucas batidas de coração eu sinto você completo dentro de mim.
Um abraço forte que nunca foi dado e por certo intenso demais.
Um beijo quente, nos teus lábios doces...
E a onda passa mansinho, deixando o cheiro de quero mais.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013


Porque eu sou joia rara, menino.
De seda tecida à mão.
Eu não preciso de verdades
nem de certezas, não
Mas, dispenso as mentiras
E a pobreza da ingratidão.

Pois eu não me vendo por castelos,
Nem me curvo ao alto clero
Não me serve o prêmio de consolação.

Se você não tem coragem, assuma
E siga em outra direção, suma.
Que o meu caminho é contra a correnteza,
é preciso mais que disposição.







Maya

Ela de repente percebeu que era tudo maya... e que lá deixou sua alma, sua crença, sua verdade. Voltou nua, sem armas, sem coroa, sem medo.

No reflexo do espelho, o seu passado se dissipava. Era nuvem passageira, que seguia carregada... das frustrações que acumulou. Do adeus que murmurou.

Aquele homem era um rosto perdido na multidão. Ao longe, entre tantos... não chamava a atenção. Não mais. Seu olhos se desviaram dos dela, levou seus beijos, seus toques, sua voz.

Era uma dor secreta, que não sentia mais. Que de tanto esconder, sumiu.
Ela então, ficou em paz.