domingo, 6 de janeiro de 2013


Porque eu sou joia rara, menino.
De seda tecida à mão.
Eu não preciso de verdades
nem de certezas, não
Mas, dispenso as mentiras
E a pobreza da ingratidão.

Pois eu não me vendo por castelos,
Nem me curvo ao alto clero
Não me serve o prêmio de consolação.

Se você não tem coragem, assuma
E siga em outra direção, suma.
Que o meu caminho é contra a correnteza,
é preciso mais que disposição.







Maya

Ela de repente percebeu que era tudo maya... e que lá deixou sua alma, sua crença, sua verdade. Voltou nua, sem armas, sem coroa, sem medo.

No reflexo do espelho, o seu passado se dissipava. Era nuvem passageira, que seguia carregada... das frustrações que acumulou. Do adeus que murmurou.

Aquele homem era um rosto perdido na multidão. Ao longe, entre tantos... não chamava a atenção. Não mais. Seu olhos se desviaram dos dela, levou seus beijos, seus toques, sua voz.

Era uma dor secreta, que não sentia mais. Que de tanto esconder, sumiu.
Ela então, ficou em paz.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Por que as vezes dói como se nunca fosse passar?
Entre dias absolutamente normais a melancolia escolheu hoje para abraçar.
Numa sexta feira, pra melhorar. Ideal se fosse 13.

Eu saí completamente de você.
Deixei a sua vida sem que sobrassem pistas de mim.

Mas, vai passar...


sábado, 29 de dezembro de 2012

A Estrada

Ela não podia escolher. Seu coração em silêncio não dava a menor indicação. Sua mente vazia não apontava direção. Era ela e a estrada, onde quer que a fosse levar, era ela e a estrada.

Passo a passo, o q foi passo era passado, que seria passo era futuro, entre um e outro o seu presente. Segundos transitórios.

Pela estrada, flores e pedra. Árvore e terra. Beleza viva e morta.
Os galhos secos e retorcidos como suas histórias. A flores em cores, como a sua memória. 

Era ela e estrada por onde se desviava...

sábado, 22 de dezembro de 2012

Teatro dos Vampiros

A pedidos de uma amiga e por conta de uma certa repercussão que tiveram essas palavras, trago-as aqui.

Juro que eu preciso dizer... é tão triste ver alguém mendigando um amor que não possui mais, um status ao qual não pertence, um ego ferido precisando se afirmar. Que me renderem pensamentos proféticos de que isso eu não quero pra minha vida. Porque já me bastou ver no outro o quão patético nos tornamos quando permitimos que o nosso ego domine as emoções. Nos tornamos vampiros emocionais.


Podemos ser cruéis, mas somos também tão risíveis; uma caricatura borrada de uma possibilidade. E assistir a decadência de outrem, sem vendas e sem ranços, me chocou, me tocou, me fez pensar, me causou pesar.



Não posso resgatar ninguém de sua dor e de seu inferno, mas posso não me tornar aquilo também. Se a experiência alheia me ensina algo, é a escolher. Escolher não ser, escolher não fazer igual, escolher não me submeter. Acho que fiquei tão chocada que me serviu mesmo como alerta. Não permita que te magoem ao ponto de você se tornar uma marionete da vaidade. Não permita que te machuquem ao ponto de você e tornar um catador de migalhas. Não permita que te firam ao ponto de você se tornar demasiado infeliz. Porque o infeliz crônico, aquele que opta por sofrer e por mendigar a aprovação de outrem, não recebe seu pagamento, pois o amor, a admiração, se torna um peso, um excesso, um fardo indigesto. E na sua auto-comiseração se torna um Midas ao avesso, apodrecendo tudo que toca, tudo que entra em contato.



Eu assisti do balcão o teatro da vaidade e vi uma peça triste e mal ensaiada. Um ator desesperado por atenção. Alguém tão dolorido nesse papel, que esqueceu que a grande sacada de tudo é que pra ser querido não é preciso esforço, mas verdade.



E no final, não teve o aplausos...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Minha mente está confusa, como há muito tempo não ficava.

Lidar com nossas escolhas na maioria das vezes não é nada fácil. Recolher-se a solidão, ao conforto do porto seguro, sozinha e angustiada, não é uma escolha, é necessidade vital. De outra maneira não sobreviverei.

Já passei por muita porrada nessa vida. Muitos tombos e rasteiras. Já dei murro em ponta de faca por ser impulsiva e intempestiva. Sei que as dores passam e fica o aprendizado. Mas, quando dói, dói visceralmente. Dói uma dor corrosiva, um misto de medo e ansiedade. Com uma enorme vontade de dormir até que tudo passe.

Sim, eu fiz escolhas as avessas. Escolhi não escolher. Segui a maré que apontava o meio do oceano, sem que eu soubesse nadar. Não era difícil concluir que eu me afogaria. Que morreria dentro de mim mais uma vez.

Mas, e se esse morrer não for libertador? E se essa dor for em vão? Como fazer pra suturar as feridas que causei? Como faço para lidar com as perdas que sofrerei? De tudo eu perdi o que hoje me trazia mais alegria. O sorriso sincero de uma amizade querida.

Fui sufocada pelo medo. Me vi covarde. Me vi o retrato daquilo que eu mais temia. Que eu era capaz de machucar também. Não de propósito, mas por não saber o que fazer. Eu, que sempre cobrei a verdade, omiti por medo das consequências. Virei o próprio de Dorian Grey.

E agora estou aqui, contando os segundo preciosos que deixo escapar. Inerte, apática. Infeliz. Com vontade de vomitar para expurgar a dor. Mas, ela não passa. O sofrimento nem sempre é opcional. Não quando se está prestes a perder algo que lhe é tão caro. Mas, que talvez não eu não seja igualmente importante.

Escrever, escrever, escrever... As palavras não fazem sentido. Eu não encontro os motivos. Simplesmente embaralho letras na tentativa de aliviar o peso da solidão.

Queria fugir pra bem longe. Queria fazer isso de novo. Mas, estou presa, acorrentada. Sou vítima da minha própria burrada.



Quem diria... Lulu Santos falando por mim...






domingo, 9 de dezembro de 2012

Morte anunciada

Preciso liberar minha mente, meus demônios particulares!
E eu achava que esse papo de demônios era puro clichê.... Sou tão ingênua q me irrito comigo mesma! Sou o doce de alcaçuz!

Preciso liberar a minha dor.
Vc me fez sofre a ultima dose do amor!
A pá de cal que me sepultou.

Obrigada, eu morri.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Palavras Sinceras


Há dois anos eu pedia pra um amigo que me enviasse um e-mail que tinha escrito pra ele e que não o possuía mais nos enviados. Dois anos pedindo e nada... eis que hoje, finalmente, ele me enviou!

Me trouxe novamente lágrimas aos olhos e fui capaz de sentir cada emoção contida naquelas palavras. Acho que essa foi uma das "cartas" mais sinceras que eu escrevi em toda a minha vida. A verdadeira descoberta do seu ser é algo de mais precioso que pode existir.

Vou ocultar o nome porque realmente é algo muito pessoal, mas de tão belo, acho que deva ser compartilhado. Ele sabe quem foi e isso basta.

“XXXXXX,
Antes de mais nada, obrigada.
Não me tornei vegan por sua causa, era uma condição que já existia dentro de mim, porém, você foi o único a não ser condescendente com as minhas desculpas. Não questiono ou aprovo o seu método... pois, só eu sei o quanto me doeu, e, talvez essa dor tenha também me libertado. E a liberdade justifica.

As coisas mais inesperadas acontecem quando o controle escapa as nossas mãos. Eu fui até você desejosa de algo que eu tive medo de conquistar e voltei renovada de algo que eu já possuía. Isso fez tudo valer a pena. Cada lágrima que eu chorei e tudo o que eu senti. Por certo existem críticas que poderia fazer, mas o tempo delas não é agora; prefiro trazer dentro de mim a beleza da transformação e a pureza dos nossos olhares em despedida, a remoer os arranhões do ego. 

Até nossa última conversa tudo aquilo me parecia um pesadelo, um filme pastelão de mau gosto, onde eu me coloquei em posição de total submissão e covardia ante a um homem que eu admirava. Entender o porque dos fatos foi uma tarefa que começou naquela nossa última conversa. Onde, talvez pelo comodismo da partida, nos sentamos cada um do seu lado do 'muro' e pela primeira vez em três dias, nos comunicamos. Porque antes eu falava e você não ouvia, você falava eu eu não acreditava ou entendia. Suas palavras eram pedras atiradas em meu frágil telhado de vidro. Eu não via que, se em minhas mãos não haviam pedras iguais, restavam então, punhos cerrados que davam forma ao fogo que eu cuspia indignada e ferida.

Não, não sei o que deu errado ou porquê (risos). Mas, prefiro celebrar o que deu certo. E de uma maneira muito particular e só nossa, nós demos certo. Do contrário, ontem jamais teria existido e o amanhã seria impossível e impensável. Demos certo porque continuamos de alguma forma nos gostando e nos respeitando. Vi que de heróico você tem os seus sonhos, mas é tão humano e imperfeito quanto eu. O que nos distingue? Tudo e nada. Somos apenas células nesses 6.5 bilhões de pessoas tentando fazer o nosso melhor, de maneiras diferentes, distintas, porém, igualmente sinceras. E isso é tudo que nos difere. Ao passo que somos humanos independentes do gênero, que enxergam direções diversas e ainda assim somos capazes de nos unir e lutar, como irmãos, cuidando e protegendo um ao outro, sem que nenhuma diferença seja maior que a compaixão. E é por isso que afirmo que não somos nada diferentes.

Sabe, não importa o tempo ou as estradas de nossos destinos, certas coisas nunca mudarão. Você será pra sempre aquele 'menino bom' que eu conheci e que me conquistou. Não precisamos que o amor seja recíproco pra que ele exista, acho que essa é a grande magia do amor. É algo tão seu que pode ser da forma como você quiser e mesmo assim ainda ser 'tão do outro'. É um bem que te invade e completa, e que não precisa de retorno. O amor não pede nada em troca. Uma pena que hoje em dias as pessoas tenham tanto medo de amar ou de declarar o seu amor; como se fosse algo reprovável. Eu acredito que todo afeto é amor em uma de suas tantas possíveis formas. O amor não é prisioneiro jamais. E ele se transforma, se reinventa e só por isso podemos amar de maneira tão plena pessoas tão distintas. O amor sincero, independente de sexo, religião ou cor, é o verdadeiro casamento das almas, é etéreo e libertador. Mas, enfim.... (risos) me perdi filosofando sobre o amor... 

XXXXX, você sempre vai ser um grande amigo, um grande amor (desses que não tem nada a ver com sexo, mas tem a ver com alma). Não importa quanto tempo leve para que nos vejamos novamente, vai sempre ter valido a pena ter te conhecido, ter te reencontrado, nunca ter te perdido (ainda bem) no meio da loucura das nossas vidas. Com tanto desencontros, ficam aqueles que deveriam ficar. E você ficou, marcou. Escreveu seu nome na minha história, deixou em mim a sua marca. E dito isso, qualquer outra palavra não complementaria, seria apenas desperdício. 

Você é especial.
Da sua eterna amiga.