segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Furacão & Tempestade

se pro bem ou para o mal
nosso encontro é fatal
é química e cosmos unidos.
são segredos traduzidos

em corpo, pele e suor
lágrima, saliva e dor
química e eletricidade
ligados na máxima voltagem

descarga de adrenalina
caio sobre seu corpo, menina
pois a mulher se dissipou em gozo
nos braços desse homem vaidoso

somos furacão e tempestade
que chega ao litoral sem alarde,
que alimenta e espalha o fogo
criando novas regras pro jogo.

(23/10/12)



Yin & Yang

Essa eu escrevi pra vc!

"sou yin e sou yang, opostos complementares. 
força e fragilidade, razão e sensibilidade. 
mulher e menina. coragem e covardia.

eu erro querendo acertar, 
pulo de olhos abertos no mar.
me jogo sem medo, 
me arrependo e enlouqueço.

sou intensa e sou gelada.
sou fogo e sou morada.
sou tua e mais nada."

(10/2012)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Onde está o erro do mundo? 
Essa vida acelerada que levamos, sem tempo, sem gosto, sem cheiro e as vezes em brilho. Repetindo mecanicamente os padrões, os hábitos institucionalizados, a cacofonia da cultura que oprime, deliberando em favor do nosso algoz. 

Onde está a liberdade? Em qual reino vou encontrá-la? Será que se libertos formos, saberemos nós andarmos por essa estrada?

Reescrever um novo olhar é a tarefa mais fácil de toda essa jornada. Difícil mesmo é ter um novo olhar! É abrir mão dos seus conceitos e ouvir outros tais. Tirar a venda escura que cega a possibilidades tão infinitas de algo diferente. Mas, seria esse diferente algo melhor?
Não sei, mas só se pode colocar uma nova roupa se não estiver vestido com outra. Desconstruir seus conceitos e formatar novos alicerces. Num exercício diário de se compreender em meio ao caos que nos inserimos. É preciso estar nu, se despir das armaduras e máscaras que ao longo de nossa existência adotamos como mecanismo de defesa. Contra quem mesmo? Talvez contra nós mesmo. Somos frutos do teatro social. Somos os atores da comédia da vida. 

E essa nudez incomoda. Incomoda de tal maneira, que nus não nos olhamos no espelho. Não temos coragem de olhar pro próprio corpo de maneira justa e delicada. Nos admiramos em novas peças, que escondam nossa nudez. Mas, o corpo nu não merece nossa atenção. É impuro, é provocador. Exposição de nossas perfeitas imperfeições. 

Mas, eu confesso, que numa lufada de renovação, quero sinceramente abdicar da mediocridade. Libertar a mente, o corpo e a vida. Sair da rotina em busca de novas possibilidades. Sem julgamentos moralistas, somos todos senhores e servos do mesmo mecanismo. O que nos agride é perpetrado pelas nossas próprias mãos. Acomodados, amansados, cativos em nossos destinos traçados na maternidade. Objetificamos nossos ideias, vivemos cartesianamente buscando diminuir o estrago que ajudamos a causar. 

Sem títulos e sem direções, alço voo rumo ao nada... pois há a certeza de ao fim algo surpreende me espera.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Rivotril

É estranho tomar 3 rivotrils praticamente juntos. Pelo meu pouco estudo na área médica, 15mg não vai me fazer mal algum, mas certamente vai anestesiar minhas emoções e meu corpo. É estranha e agradável essa sensação de torpor. Não me importaria em tirar umas férias nesse estado vegetativo. Beber, comer, dormir... entorpecida. É uma válvula de escape pra mente. Cada um com a sua receita, alguns são naturebas e meditam, outros usam de entorpecentes naturais para se desconectar desse purgatório que é o mundo; ainda há quem beba pra esquecer seus problemas e as vezes ainda arranja outros piores. É álcool é uma merda.

E estar nesse estado de letargia não me garante entender o que me fazia sofrer. Estou em um estado psicodélico entre o abismo emocional absoluto e o riso histério da palhaçada que é a minha vida. Se a vida é uma peça de teatro onde o mundo é o palco, sobrou pra mim o picadeiro numa apresentação de palhaços.

Puta que pariu. Nesse estado eu não consigo dizer nada do que estou pensando. Ou não estou pensando o suficiente pra escrever. Grandes bostas. No fundo o rivotril não foi uma pá de cal na raiva e nem na frustração, foi apenas uma anestesia superficial na ferida purulenta.

Brother, se eu não começar a acertar as coisas eu vou virar uma velha ranheta. Se é que eu já não me transformei. Mas, hoje, realmente, não espere nem meia palavra de alegria, porque eu tô mais querendo que o mundo se foda. E especialmente uma pessoa.
Sai de mim odioso pensamento
quantas vozes tem o vento
quando está a sussurrar?

As palavras que predizem o futuro
em visões do meu desespero
E de tão cruel me acertam como murro

Sai de mim desalento
Não sabe como quem está a brincar
Posso parecer de louça
Mas, como fogo sei queimar

Meu corpo escultura divina
com os lábios de deusa menina
Que venha o vento me gritar!





E Viva o Descontrole Emocional!

As vezes o mundo parece hostil, interessado em destruir todas as suas forças e esperanças. Sei que o mundo não é de verdade assim e nem creio q o universo conspire contra mim. Mas, tem dias q vc se sente assim. Num beco sem saída, num mar profundo de tristezas. O sentimento pesa como pedras sobre os meus ombros e me afundo ainda mais no conforto das minhas lágrimas. Auto-piedade + arrependimento + covardia = depressão.

Agora olhando parece que tudo virou um nó cego. Não há por onde insistir para melhorar a situação. Ao contrário, qualquer tentativa de desatar só o aperta mais. Minha vida virou um nó cego. Estou presa numa teia q eu nem sei qual é. Eu não vejo, mas cada vez me enrolo mais nesses fios de mágoa e rancor, tecidos continuamente ao longo de alguns anos. Não sei como mudar, pra cada lugar q me viro, me prendo mais. 

Sou uma fraca. Tenho medo da solidão. Não de ficar só, pq isso eu já superei. Vivo minha vida praticamente só. Entre risos e sorrisos virtuais, os compromissos de faculdade - local onde interajo e construo novos valores e amigos. Mas, de resto eu sou só. A menina presa na torre. A menina da torre, como diria o Pedro Parga. A menina que se prendeu na torre pq não sabe viver lá fora.

As vezes eu sinto meu coração como um bife batido. Me lembro da empregada batendo o bife com uma espécie de socador dentado, pra "amaciar a carne". Carne que foi de algum animal que como eu queria viver. Mas, acabou virando meu almoço. Um bife de carne amassado. Um bife amaciado... assim como o meu coração. Essa massa ora disforme já teve uma boa aparência. Era puro, eu juro. A cara de má, a insolência e o deboche eram a minha armadura pra me defender do mundo. Trinta e cinco anos depois vejo que não foi a melhor escolha e hj, essa armadura rota é o q me identifica para os outros. Eu sou a Núzia que não merece compaixão pq que é combativa. Mulher guerreira que aguenta até porrada. Um muro para atirar as suas frustrações, um muro que chora em silêncio a cada pedra atirada. 

Não sei no q me transformei. Não me conheço mais. Não me reconheço tb. Não era assim... e não sei o que sou agora. Em dias como hoje, um amontoado de células, fibras, nervos e tendões, dentro de um revestimento epitelial frágil, comandado por uma massa cinzenta que ora me parece muito burra. Como pode o cérebro desempenhar tantos papéis, de maneira bem razoável e ser tão incompetente quando se trata de amor, por exemplo? Como pode fazer um ser humano, produto da união de dois gametas, que desde sua concepção luta para sobreviver nesse mundo hostil; que desenvolve diversas atividades motoras sem nem se dar conta de tão perfeita q é a criação, ser ao mesmo tempo capaz de nos jogar no limbo das artimanhas do amor. Amor. Porra, sentimento esse que tem q ter comando no cérebro para existir! Como assim a coisa funciona de maneira tão errada? Como pode nos deixar nos apaixonar e ficar doente por alguém que não se importa com a sua existência? Assim, francamente, nem é apenas um desabafo, mas é um questionamento válido.
Eu que admiro a ciência médica não me conformo com esse aspecto da falibilidade humana. Não, não dá pra ser. Era pra ser algo BOM. Era pra fazer DAR CERTO. Pra que a perpetuação da espécia ficasse garantida. Mas, do jeito que a coisa vai, logo logo estará ameaçada. Simplesmente porquê é impossível conviver e ser feliz com alguém! Fato. Maldito e burro encéfalo, não é capaz de coordenar uma nivelação química pras coisas funcionarem a contento. Porra... faz tanta coisa direitinho. Não deixa o coração parar de bater, nem o pulmão de inflar e desinflar na respiração, oxigena as células, produz outras, recebe milhares de informações por segundo e responde a todas elas quase sempre de maneira bem eficiente. Mas, qdo se trata de amor, porra... nada funciona! E ainda culpam o coração! Não é o coração q é idiota. Essa porra é só músculo, fibra, artéria. Não pensa. Não sente. Só bate. Burro mesmo é o cérebro. Esse sim é o responsável pela cagada, que nesse caso nada tem a ver com o cu.

Enfim, achado o culpado, o cérebro, eu me pergunto: se ele é capaz de nos colocar em situações medíocres porquê não funciona bem, qual é a solução? Tipo, o bichinho tinha que ter daqueles programas que se auto-corrigem, tipo esse do windows. Porque se ele está com problemas e ele é o único e todo poderoso parar resolver problemas, como ficam as coisas? Acho q é nessas horas q entram os psicólogos e psiquiatras, né? Mas, sei lá... eu não sei se consigo confiar e acreditar na eficácia desse tipo de tratamento. Parece pajelança. Se um osso quebra, vc opera, coloca no lugar, fixa com um pino e pronto, está consertado. Agora se o cérebro está doente, mas não é exatamente nada físico ao ponto de uma neurocirurgia, você acha mesmo que pagar pra bater papo vai resolver o problema?! Bom, talvez, né? Já que o problema é de softwer e não de hardwere, pode ser que um bom programador da mente humana consiga resolver. Pensando por esse ponto até que fica bastante interessante. O lance é descobrir um bom "técnico".

Vai ver é isso. Vai ver se eu conseguir reprogramar o meu cérebro, eu encontre a solução dos meus problemas. Seja no amor, seja em outros aspectos (toda pessoa q sofre de depressão, sofre por mais de um motivo. dor de corno só não gera doença), reprogramando eu posso resolve-los. Ou desistir deles de uma vez.

Se o meu namorado ler isso aqui, vai achar que tudo que foi dito era sobre ele, uma forma de recado. Mas, na verdade não. Isso foi uma das mais sinceras conversas comigo mesma que tive em anos. E escrever é assumir que elas também existem e que podem ser a solução de muita coisa. Antes eu tinha medo até de pensar em terminar, hoje eu preciso dizer que isso é uma possibilidade bem real nesse momento em que estamos vivendo. E pelo andar da carruagem, é realmente o suspiro final de um corpo moribundo. Assumir em voz alta, admitir em palavras digitadas nesse cyber espaço foi a forma que eu encontrei para dissipar o nevoeiro cinza e gelado que tomava conta da minha alma. Assumir que eu também quero um fim, seja lá como isso for se dar. Mas, eu quero. Quero um fim desse convívio terrível que se transformou o nosso dia a dia. Quero o fim das ofensas ditas por bocas cheias de ira. Quero o fim do rancor improdutivo e depreciativo. Eu quero ver estrelas em vez de receber farpas.

Mas, não, não foi tudo isso escrito pra ele. Foi na verdade quase uma psicografia da confusão dos meus sentimentos. Foi um vômito emocional, irracional, totalmente descompromissado com fatos e cronologias. É mais um ensaio de muitos da minha libertação. Seja lá como ela se dará, seja lá que forma ela terá... mas, eu preciso me libertar e ser feliz.

Por isso hoje eu não vou mais brigar. O semblante pode ser um pouco de apatia, mas na verdade é apenas o efeito da catarse que eu sofri.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Saudosa Velharia

Lembrei que meu blog existe. Fracassado blog. Onde eu posso me lamentar. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHA... (risos forçados)

Mas, lembrei porque ontem ouvi dizer "eu não sei escrever sobre amor". Daí lembrei que aqui tinha um monte de poesia minha e quase todas elas sobre amor. Assunto recorrente em meus escritos, por falta de vive-lo. Então segue mais uma:


Que Amor é Esse 

Eu quero saber que amor é esse 
Que só faz doer. 
Eu queria entender.
E por isso não me importar 
Queria saber o meu lugar, 
No teu coração, querido.

Mas, eu não consigo adivinhar 
As pistas que você me dá 
Me são somente dúvidas 
Palavras perdidas no meu olhar...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Segredos

A palavra interrompida
O espinho da rosa
A lágrima caída
O silêncio na prosa

É dor revolvida
Da alma ferida
Na menina escondida
Numa mulher já crescida

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Posso parecer estranho
Posso parece instinto
Posso me repetir
Me perder
Não te seguir

Posso contar as cores
Meus amores
Posso fazer piada
E também terapia

Posso buscar consolo
Posso dar conforto
Posso te dar amor
E te dizer desaforo

Posso passar o tempo
Procurando ter mais tempo
Posso ser um sargento
No exército do amor

Posso existir sem dor
Posso morrer de pavor
De ter que seguir vivendo
Mas, nunca mais sendo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Debate sobre drogas no GLOBO: Regulamentação é a palavra-chave


Foto de Marco Antônio Teixeira / O GLOBO

Não tem muito tempo, o advogado novaiorquino Ethan Nadelmann, fundador da Drug Policy Alliance, entidade que defende mudanças na política antidrogas americana, era considerado um radical em seu país. Sua posição pela legalização da maconha, redução de danos a dependentes químicos e descriminalização do uso de todas as drogas, com vistas à diminuição do encarceramento em massa que faz dos EUA responsável por 25% de toda a população carcerária do mundo, fazia dele um ET em qualquer debate público do qual participasse. Mas hoje, ele garante, os tempos são outros. Mesmo sem ter feito ainda nada de concreto sobre o tema, o novo governo democrata de Barack Obama promete começar a mudar o cenário de violência, gastos públicos e intolerância que domina a posição americana sobre o assunto dentro e fora do país, e que nos últimos anos arrastou quase o mundo inteiro numa cruzada cara e pouco eficiente em busca da utopia impossível de um mundo livre das drogas. Pelo menos essa é a esperança de Ethan, que nessa quinta-feira participou de um debate sobre legalização de drogas no auditório do Globo, na companhia da psicanalista Maria Thereza Aquino, diretora do Núcleo de Estudos em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad/UERJ), do jornalista Arnaldo Bloch e de cerca de 100 privilegiados espectadores. O evento fez parte do projeto Encontros no Globo, no qual há cerca de 20 anos público e especialistas se reúnem para discutir temas relevantes para a sociedade.

Foto de Marco Antônio Teixeira / O GLOBOApesar de o tema proposto ser legalização, a palavra-chave do debate foi outra. “Regulamentação é a minha bandeira”, disse Ethan, logo na abertura de sua participação, usando o termo que repetiria várias vezes ao longo de quase duas horas de evento. “Não estou aqui para dizer que maconha é maravilhosa, porque não é. Também não estou aqui para dizer que o usuário de maconha está livre dos riscos da dependência, porque não está. Estou aqui para dizer que o ponto de vista do proibicionismo, além de hipócrita e ineficiente, é hoje, cada vez mais, um tremendo desrespeito aos direitos humanos”, disse o americano. “Regulamentar o uso de maconha, respeitando-se seu potencial de malefícios à saude bem como o seu potencial de benefícios é a única saída para aumentar a segurança do uso dessa substância e reduzir a criminalidade a ela relacionada”, completou.

Para Ethan, a regulamentação da produção e da venda dificultaria, por exemplo, o uso de maconha por crianças (“hoje é mais fácil para uma criança comprar maconha do que bebida nos EUA”, lembrou). Também permitiria um maior controle da composição da droga, hoje entregue unicamente aos interesses dos traficantes, e geraria impostos suficientes para que políticas amplas de redução de danos e prevenção fossem implementadas. “Exatamente como foi feito quando se terminou com a Lei Seca, nos anos 30”, defendeu, lembrando o que hoje todo mundo já sabe: a Lei Seca americana, que vigorou entre 1920 e 1933, só fez aumentar o consumo de bebidas fortes e de baixa qualidade, produzidas sem controle por grupos de criminosos, prática que envenenou e tornou seriamente dependentes milhares de americanos. Após a abolição da lei, ao contrário dos temores mais puritanos, o consumo de álcool nos EUA manteve-se em bases controláveis nos últimos 70 anos, com a vantagem de ter se transformado num eficiente gerador de receitas provenientes de impostos.

Foto de marco Antônio Teixeira / O GLOBO

Para a debatedora Maria Thereza Aquino, contudo, a tese da regulamentação ainda soa como uma proposta assustadora, pelo menos no caso do Brasil. Segundo ela, a sociedade brasileira não está preparada ainda para um passo como esse. “Temo que muitas pessoas aqui confundam a legalização com uma permissão para usar livremente, o que pode ser muito perigoso”, diz a psicanalista, que no caso da maconha pontua ainda uma outra preocupação: “Sei, por experiência própria com meus pacientes, que a maconha hoje não é mais uma droga leve. É usada cada vez mais em versões altamente concentradas, com poder psicoativo e efeitos colaterais muito mais poderosos do que havia nos anos 70”, disse.

Apesar disso, Maria Thereza concorda com a tese da descriminalização do usuário. “Uso de droga tem que ser assunto do Ministério da Saúde. Portar droga não deveria ser crime nem ter qualquer tipo de pena. Isso ajuda a “desestigmatizar” o usuário, e pode contribuir muito no tratamento dos dependentes. Eis um ponto sobre o qual eu acho que a lei brasileira ainda pode evoluir”, disse ela, fazendo referência à confusa lei brasileira, que despenaliza mas continua considerando o porte de drogas para uso pessoal um crime previsto no código penal, o que abre margem para muitas interpretações equivocadas (ou mesmo mal intencionadas) pelos nossos agentes da lei).

***

Veja abaixo algumas das principais observações de Ethan e Maria Thereza durante o debate:


Ethan:
“Não creio que possa haver uma mudança radical para uma nova política de drogas legalizadas. Este será certamente um processo passo a passo, que precisará de um diálogo muito evoluído em direção a um novo entendimento político e social sobre o assunto, livre das amarras do preconceito e do moralismo, com a luz da ciência e da tolerância”

Maria Thereza:
“Nossa experiência mostrou que a politica de troca de seringas fez com que os dependentes com quem trabalhávamos usassem cada vez menos a cocaína injetável. Isso é uma evidência de como ações de redução de danos são importantes”

Ethan:
“É preciso dizer que maconha não é, em absoluto, tão forte e perigosa quanto o álcool. A grande maioria das pessoas que a usa não fica viciada, não perde o controle, não tem graves problemas de saúde nem fica viciado em drogas mais fortes”


Maria Thereza:
“Não consigo olhar com leveza a possibilidade de legalização das drogas. Tudo bem que ninguém morre de maconha, mas a maconha ‘mata’ muitos destinos. Um adolescente que passa duas, três horas por dia sob o efeito da maconha certamente não terá o mesmo destino de um que tem as mesmas oportunidades mas que não fuma maconha”

Ethan:
“O que ‘mata’ o destino das pessoas é a prisão por porte de maconha. Carimba o indivíduo com uma ficha criminal que certamente o estigmatizará e o desestimulará a ousar na vida. Barack Obama já admitiu que fumou maconha e usou cocaína na juventude. Imagine se ele, um negro, tivesse sido preso por isso? Será que teria tido coragem para se candidatar a um cargo público depois? Provavelmente não. E hoje não teríamos nosso primeiro negro na presidência”

Maria Thereza:
“A legalização das drogas me parece um beco sem saída. A venda de drogas com taxação de impostos abrirá espaço para que o mercado negro ofereça o produto mais barato, perpetuando o tráfico. Da mesma forma, a legalização facilitará o acesso à droga a quem está tentando abandonar a adicção”

Ethan:
“Todos os esforços para se erradicar as plantações de plantas como a coca, a maconha e a papoula nos últimos 50 anos foram inúteis. Simplesmente fizeram as plantações mudarem de lugar. O caso da América do Sul, por exemplo: a repressão na Bolívia nos anos 80 levou a coca para a Colômbia. É um erro grosseiro de estratégia, que só a hipocrisia não permite ver”