quinta-feira, 20 de novembro de 2008
(por Núzia Carla Brum)
Eu sou um ser inteiro
E por isso também falho
No conjunto se encontra a beleza
Que sigo por entre atalhos
A ira, a raiva e o amor,
Pintados num grito de dor
A mentira, o engano e a flor
Crescem no jardim do esplendor
As críticas não me afugentam
Ao ser inteiro, sustentam
Injúrias e lamento
Alegria e contento
São meu alimento
As palavras expressam as verdades?
Ou seriam apenas a fogueira das vaidades?
Por entre as linhas se descobre a maldade
A mola mestra da rivalidade.
Feliz do bem aventurado
Que segue seu caminho inabalado
Ser inteiro e acabado
Ignora se mal interpretado.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
SONHOS

Sonhos
(por Núzia Carla Brum)Quando vens visitar minha pele fria
O cálido sopro da brisa
Aquece minh´alma vazia
Teu corpo em júbilo sobre o meu
Devora minha carne em rubor
Penetras rijo em minhas entranhas
Inebriado de amor
Me deito em estepe seca
Para que me tenhas para ti
Em seca relva que repouso
No farfalhar do ir e vir
Em sonhos cruzo mares e montanhas
Para de novo te sentir
Teu peito batendo forte
Teu gozo em me despir
A alvorada se faz presente
O dia já vai surgir
Em nevoa me despeço do homem
Que mulher me faz sentir.
Essa eu escrevi pro meu namorado... ah... o q a saudade não faz com a gente???
JOGA PEDRA NA GENI
Geni E O Zepelin
(Composição: Chico Buarque)
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
GROSSAS LENTES
A iris esverdeada reflete o opaco do ranso
Ranso da frustração, dos sonhos destruídos
Ranso de quem não é feliz
Os óculos escondem a alma negra
O deboche, a maldade
Enganam, disfarçam
Escamoteiam a sinceridade
Plural em seus sentimentos
Afogada em ressentimentos
Destrói com sua língua ferina
Joga veneno ao vento
O corpo é de mulher
A essência de serpente
Preste a dar um bote
No amigo inocente
Não suporta a felicidade
Não suporta o amor
Quer secar a tudo e todos
Quer destruir o amor
Teus dias são sempre cinza
Cor da solidão
Vaga sozinha na terra
Não sente por ninguém compaixão
O espelho te mostra a verdade
Àquela que você não quer ver
Que o abandono te corrói
E isso te dá prazer
domingo, 9 de novembro de 2008
Um novo blog para uma velha vida - Pimentas Veganas!!!
Bom, não sei quem lê esse blog aqui, mas se forem meus amigos, sabem que há 3 anos sou vegetariana com orientações veganas. O que vem a ser isso? Bom, sou ovo-lacto-vegetariana, ou seja, ainda (eu disse ainda) consumo derivados como ovo (dã), leite (dã), manteiga, queijos e etc. Mas, por ter uma orientação vegana e aspirar isso como meta meu consumo desses produtos é mais restrito e direcionado. Tenho acesso a ovos de galinhas capira, ou seja, não sofrem nenhum tipo de violência, leite eu não tomo mais, porém o consumo ainda (novamente, ainda) em bolos, pães e outros tipos de receitas. A manteiga segue o mesmo padrão acima, sendo substituida por azeite (delícia!) quando é para consumo direto como pão com manteiga. Mas, meu maior 'crime' é o consumo de queijos. Confesso envergonhada que o prazer ainda acima nessa questão; sou totalmente viciada em queijo. Porém, tenho certeza que é uma fraqueza passageira e em breve estarei totalmente livre do sofrimento animal em 90% da minha existência consumista. Meta!
Por conta disso e por acreditar que a voz dos animais e do planeta tem que reverberar cada vez mais alta e mais distante é que criei um novo blog em parceria com uma amiga para tratar desse tema com mais abrangência e direcionamento. Aqui, vou continuar postando minhas abobrinhas, e certamente também falarei sobre isso. Mas, esse blog em específico é para dar voz ao ativismo e mostrar ao mundo que existimos e como tal, é possível sim, viver em maior harmonia e paz com o nosso planeta através de ações simples no seu dia-a-dia.
Então, amigos e queridos leitores, deixo aqui o meu convite para quem quiser visitar esse recém nascido blogg, PIMENTAS VEGANAS! Entrem lá e participem! Tenho certeza que vocês, assim como eu, sairão ganhando. Ah... e já tem duas receitas!!!
SHOW DO R.E.M.

Michael Stipes, 48 anos, Mike Mills, 49, e Peter Buck, 51, estão na estrada há 28 anos, passaram pelos altos e baixos comuns a carreiras longas e vivem um grande momento a bordo do CD “Accelerate”, lançado em abril, com 11 boas canções em apenas 34 minutos, sem firulas.
Assim foi o show: 24 músicas sem firulas em que a banda trouxe o público de 1985, com “Driver 8”, até o presente. Uma delas foi tocada pela primeira vez na turnê sul americana iniciada em 29 de outubro na Colômbia, “Exhuming McCarthy”, uma denúncia contra tentativas de se trazer aos nossos dias o clima de caça às bruxas dos anos 50 (a letra tem a frase “o senhor não tem um pingo de decência, senador”, com que McCarthy foi desmascarado por um colega do Senado e Stipes colocou um gravador com sua reprodução no microfone.
Após a abertura de Fernando Magalhães, do Barão Vermelho, em show de seu álbum instrumental com profusões de solos que lembravam de Joe Satriani a Jeff Beck, passando por meio mundo de guitarras, esperou-se meia hora para o R.E.M.. O palco é muito simples. Teclados nas duas pontas em estantes de madeira de instrumentos vintage. Dois amplificadores ampeg para o baixo Fender de Mike Mills, uma bateria simples (mas com dois surdos) de Bill Rieflin, músico contratado egresso do heavyssimo grupo Minister. Amplificadores miúdos cheios de bonecos de dinossauros em cima para a guitarra de Peter Buck, na maior parte do tempo uma Rickenbacker parecida com a que John Lennon usava no começo dos Beatles. Scott McCaughey é um R.E.M. honorário, ele se reveza entre guitarra (Gibson SG e Les Paul, Rickenbacker e outras), baixo, gaita e teclado, um verdadeiro coringa.
Além das costumeiras médias com o público tipo “Amamos o Brasil”, “estamos felizes de estar aqui” (lembrei de Keith Richards “é muito bom estar aqui, é muito bom estar em qualquer parte”), Stipes disse que a banda estava “fucking happy” com a eleição de Barack Obama, que apareceu no telão central, anunciou que havia um estande da Anistia Internacional no recinto, pediu que todos se informassem e se tornassem membros. Ele agradeceu a Fernando “Magalhões” pelo show de abertura e foi para a frente do microfone com uma lata de cerveja “Não sei como pronunciar isso...Itapava? É muito boa”, afirmou, engolindo o “i” e endossando uma “loura” não muito popular entre os cervejólogos. E pensar que tem banda brasileira que pede cerveja importada no camarim.
Depois de um “boa noite galera do Rio” no telão a banda entrou a mil com a faixa de abertura de “Accelerate”, “Living well is the best revenge”, deu uma segurada em “These days” e engatou a quinta em “What’s the frequency Kenneth?” com o vocalista mostrando seus dotes no balanço das cadeiras. Além dele, o único que se movimenta no show é o baixista Mills, que desceu duas vezes para agitar perto da galera da pista vip (420 reais).
Fonte: matéria jornal O Globo online
R.E.M. - Sem dinheiro na bolsa...
Pois é, eu não fui ao show... preços meia entrada variando entre R$80 e 120 reais são inacessíveis, não só pra mim, como pra grande maioria. Eu não me disponho a pagar essa 'bagatela', afinal, com esse mesmo valor eu faço muito mais coisa... ainda que seja o R.E.M. que eu A-DO-RO. Fazer o que? Enquanto a massa de manobra eleger governantes ladrões e não se posicionar contra a farsa autofágica do capitalismo, estaremos a fadados às margens da sociedade, porque, pelo visto, isso também é para apenas 'poucos e bons'.
Bom, eu já ia chegar ao final desse post 'lamentação' quando a tal emissora, dona do tal jornal de grande circulação liberou uma matéria sobre o show! Vou transcreve-la no próximo post. Nesse, eu deixo vocês com a foto.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Beltane - É hora de celebrar!!!
Beltane
Divindades relacionadas: Rainha da Primavera, Jack in the green, Homem Verde.
Beltane é um festival de fertilidade e fogo.
Na tradição celta, os dois maiores festivais de todos são Beltane e Samhaim: o início do verão e o início do inverno. Assim como para todos os povos pastores, para os celtas o ano tinha duas estações, não quatro. Isso se deve porque no norte da Europa as estações são bem mais divididas que no hemisfério sul, por exemplo.
A palavra Beltane se origina dos termos galeses tan (fogo) e Bel (nome do deus sol dos galeses). Juntas, as duas palavras significam "fogo de Bel", ou então, mais poeticamente, "fogo no céu", o que é uma expressão que expressa maravilhosamente bem o espírito deste sabá.
Beltane para as pessoas comuns era um festival de sexualidade e fertilidade humanas isento de vergonha. O mastro adornado com flores e fitas era um símbolo fálico. Dançar ao seu redor, procurar nozes nos bosques e ficar acordado a noite inteira para ver o Sol nascer no primeiro de maio eram atividade inequívocas, razão pela qual os puritanos as suprimiram com tremendo horror piedoso. Para se ter uma idéia, em 1644 os mastros de Beltane foram proibidos, mas eles voltaram em 1661 com a Restauração. Nessa ocasião, um mastro de 41 metros foi erigido na Inglaterra.
As fogueiras de Beltane ardiam durante todos os dias de festa, simbolizando o sol.
Alguns costumes de Beltane
Estes são alguns costumes tradicionais deste sabbat. Todos os exemplos foram retirados de diversas fontes, algumas inclusive desconhecidas. Se você conhecer a autoria de alguns deles, entre em contato conosco.
* Entre os povos pagãos era costume pular a fogueira de Beltane para se livrar de doenças e energias negativas, assegurar bons partos e pedir as bênçãos dos deuses da fertilidade. Então cada família levava brasas desse fogo para a sua casa, pois dessa forma reacendiam essas chamas em casa representando uma bênção divina para o verão que viria em seguida.
* Uma antiga tradição requeria que o fogo doméstico deveria ser apagado da casa toda nesse dia, pois seria feita uma fogueira com as nove árvores sagradas (freixo, bétula, aveleira, carvalho, teixo, sorveiro, salgueiro, pinheiro e espinheiro), que seria acesa pelos druidas ao nascer da Lua, dando-se início à celebração do sabbat.
* Na Europa, era um costume de Beltane soltar o gado para passar entre as fogueiras e, dessa forma, abençoá-los.
* No Brasil, perto do dia de Santo Antônio há o costume de recolher um enorme tronco de árvore e conduzí-lo ao pé da serra do Araripe até a Igreja da cidade, por mãos de fortes caboclos. À passagem do séquito, as mulheres solteiras procuram tocar no tronco que passa, debaixo da crença segundo a qual caso consiga, cedo casará... É uma festa a que todo o Cariri comparece, pelo sabor de tradição que o espetáculo mostra. Trata-se de um rito essencialmente de Beltane.
* Outro costume relacionado a este sabbat era quando os jovens das vilas iam até as florestas à meia-noite de Beltane para colher flores. na volta, presenteavam seus parentes com as flores, então recebiam as melhores comidas e bebidas que seus parentes podiam lhes oferecer. Era um ato que trazia boa sorte para todos que moravam naquela casa, pois representava generosidade.
* Na Europa Antiga, as pessoas celebravam Beltane fazendo amor em meio aos bosques. Todas as crianças concebidas por meio dessas uniões eram consideradas "abençoadas". Essas uniões representavam a fertilidade não só dos humanos nessa época, mas de todos os seres vivos da Terra.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Mentiras II
Faz-de-conta que eu conto a verdade,
Faz-de-conta que você acredita.
Faz-de-conta que tudo é verdade,
Assim como amor que te digo,
Faz-de-conta que não é por maldade,
Que eu não sou sincero contigo.
Faz-de-conta que eu me importo,
E é por isso que eu minto,
Faz-de-conta que já esqueci,
Aquela com quem mantenho vínculo.
Faz-de-conta que eu te amo de verdade,
Mesmo que não te dê prioridade.
Faz-de-conta que esse é meu jeito,
Que é pura liberdade.
Quando na verdade o que conta,
é o prazer da sacanagem.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Uma Bolsa Paraguaia
As mentiras são a ferrugem que oxida o ferro, a marca do prego retirado da madeira, o jarro de vidro que quebrou e foi colado, as estrias da nossa pele... é um estrago irreparável, ainda que contornável.
São as marcas da vida no rosto amargo, o fosco do olhar, o amarelo do sorriso...
Adoráveis mentirosos e seus queridos comparsas... Serão eternos amantes, ligados por sangue. Parceiros e suspeitos do 'crime perfeito', mas como diz a canção, 'mas, crimes perfeitos não deixam suspeitos'. Cúmplices solidários na constante obrigação de se ocultarem.
E aos que se deixam enganar, o escárnio da certeza vulgar de sua fraqueza. O terceiro elo que sustenta a mentira. Tão culpado desse crime por se permitir enganar...